Leia no Infonortepr o meu artigo O curta-metragem no Brasil e em Jacarezinho.
Ressalto que esse texto foi escrito no final de 2008, portanto, qualquer data sobre alguma informação conveniente à Mostra de Curta-Metragem de Jacarezinho está relacionada a esse ano.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Curta-metragem no Norte Pioneiro paranaense
domingo, 5 de julho de 2009
Mais de três mil acessos
Esta imagem é uma cena do filme Fausto (1926), de Murnau, que abre o nosso blog e pode ser resumida basilarmente assim: Você, nobre leitor, é o responsável pelo sucesso deste blog. Leia no Infonorte a marca alcançada de mais três mil acessos. Obrigado a cada um por escolher o Novo Cinema como uma das fontes de suas consultas.
Viva o Cinema!
sábado, 4 de julho de 2009
Olavo de Carvalho analisa “Queimada”
Reproduzo neste espaço, na íntegra, um artigo do filósofo Olavo de Carvalho intitulado "Obra-prima da vigarice", publicado no Diário do Comércio e veiculado no site (acesso disponível à direita) desse que é um dos mais fecundos pensadores vivos em nossa tão pobre pátria amada Brasil.
Ressalto aos queridos leitores deste blog, que possuo alguns dos filmes mencionados no artigo e confirmo cada observação do filósofo. Durante a faculdade eu assisti três dos filmes mencionados, que eram admirados pelos professores, principalmente "A Classe Operária Vai ao Paraíso".
Aproveitando a análise do filósofo de um filme italiano, informo que uma das minhas monografias de conclusão de curso (Radialismo) foi sobre o neo-realismo italiano, com foco na dominação de diretores esquerdistas desse movimento cinematográfico pós-segunda grande guerra, que pretendo retomar e ampliar a pesquisa.
Aproveite a análise do filósofo:
“Queimada”, dirigido em 1969 por Gillo Pontecorvo e estrelado por Marlon Brando, Evaristo Marquez e Renato Salvatori, é um dos pontos altos do cinema comunista italiano – uma espécie de segundo neo-realismo, nascido nos anos 60 sob a inspiração de uma década e meia de leitura das obras de Antonio Gramsci pelos intelectuais militantes, tanto do PCI quanto das organizações maoístas e trotsquistas. A escola, intelectualmente sofisticada, de uma coerência ideológica e estratégica notável, foi inaugurada por “O Bandido Giuliano”, de Francesco Rosi, e “O Assassino”, de Elio Petri (ambos de 1961), e, com a ajuda do esquema de propaganda de Hollywood, veio a alcançar sucesso internacional ainda maior que o do que seu antecessor do imediato pós-guerra, muito menos uniforme ideologicamente.
Outros marcos na história desse movimento foram “Accatone”, de Pier Paolo Pasolini (1962), “A China Está Próxima”, de Marco Bellocchio (1967), “Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita”, de Elio Petri (1969), “O Conformista”, de Bernardo Bertolucci (1970), “A Classe Operária Vai ao Paraíso”, de Elio Petri (1971) e “O Caso Mattei”, de Francesco Rosi (1972).
A tônica desses filmes é mostrar a sociedade capitalista como uma infernal engenhoca protofascista de dominação, fundada na alienação das consciências, na prática endêmica da violência real e simbólica e na desinformação sistemática das multidões. Não há mal, desde a criminalidade até os amores fracassados e as doenças mentais, que aí não seja atribuído à ação maligna e camuflada da elite capitalista. Com um estilo narrativo frio e impessoal, evitando com cuidado o tom abertamente propagandístico e simulando investigação documentária dos acontecimentos (recurso usado com outros fins pelo primeiro neo-realismo), a escola consegue dar ares de pura realidade às mais prodigiosas falsificações históricas e sociológicas, ludibriando as multidões de patetas que guincham e se retorcem de prazer diante dessas coisas nos festivais de cinema como macaquinhos eletrizados por uma máquina de orgasmos.
“Queimada” é uma verdadeira aula de interpretação marxista da História, tanto mais persuasiva porque compõe com detalhes históricos bastante exatos um conjunto perfeitamente ilógico, cuja absurdidade só aparece quando o espectador, se advertido – o que raramente acontece –, se dá conta dos pontos essenciais astutamente omitidos.
A história é a seguinte. Em 1815, Sir William Walker (Marlon Brando), guerreiro e agente secreto mercenário, é contratado para armar um golpe de Estado na ilha de Queimada, colônia portuguesa, e, sob o pretexto de republicanismo e abolição da escravatura, transferir da monarquia portuguesa para uma companhia privada britânica o monopólio da produção local de açúcar. Ele realiza seus objetivos por meio de três operações sucessivas e articuladas: primeiro, uma rebelião de escravos, artificialmente fomentada para desestabilizar o governo local, encenada sob a liderança do negro José Dolores, que o próprio Sir Walker adestra para isso; segundo, a tomada do poder por um grupo de intelectuais e políticos ambiciosos, insatisfeitos com o regime colonial e chefiados por um idealista bocó, Teddy Sanchez; terceiro, a instalação de um regime republicano liberal e corrupto sob a presidência de Teddy Sanchez, com a conseqüente assinatura de uma cessão de direitos para a exploração da cana-de-açúcar e a contratação dos antigos escravos como assalariados da companhia inglesa. Sir William volta para a Inglaterra, onde leva uma vida de bebedeiras e arruaças (dando-se a entender que a sórdida operação antiportuguesa arruinara o seu caráter). Passados dez anos, os trabalhadores das plantações de cana, insatisfeitos com os salários de fome recebidos dos novos patrões, iniciam nova rebelião, sob a liderança do mesmo José Dolores, agora porém a sério e decididos a tomar as rédeas do governo em suas próprias mãos. Teddy Sanchez, aterrorizado, incapaz de controlar a situação, pede ajuda aos empresários ingleses, que vão buscar Sir William num botequim nojento onde ele se diverte em campeonatos de pugilismo com a ralé de Londres, e o enviam de volta à ilha, com plenos poderes para sufocar a revolta. Vendo que a coisa tomara as proporções de uma verdadeira revolução social, Sir William apela ao expediente extremo, mandando atear fogo às plantações e queimando vivos os trabalhadores rebeldes junto com suas famílias. Quando, vitorioso pela segunda vez, o guerreiro genocida vai embarcar de volta para a Inglaterra, o sobrevivente José Dolores, disfarçado de carregador, mata-o a facadas.
Há muitos elementos historicamente verossímeis nesse enredo: a ação inglesa por trás dos movimentos de independência das colônias portuguesas e espanholas; a liderança republicana verbosa e sem iniciativa própria; o aproveitamento de um arremedo de revolta popular como pretexto para a tomada do poder por uma elite corrupta; a transformação dos escravos em mão-de-obra barata para o capital estrangeiro; e até o agravamento da situação dos ex-escravos, soltos no mundo para lutar pela vida em condições desiguais. Abrilhantado por uma direção ágil de Pontecorvo e pela interpretação contundente de Marlon Brando, “Queimada” tem tudo para passar por um condensado esquemático fiel e quase científico dos movimentos de independência de muitas colônias portuguesas, inclusive o Brasil, onde o filme, exibido durante a fase mais dura da repressão militar às guerrilhas, sugeria a histéricas platéias estudantis a explicação mais fácil do que estava acontecendo no país e assim indicava o exemplo de José Dolores como o mais óbvio caminho a seguir.
Naquela época, pouquíssimos espectadores poderiam ter reparado em duas omissões capciosas que, no fundo, eram todo o segredo do impacto da narrativa. Desde logo, se até para encenar uma rebelião incipiente seguida de um golpe de Estado os habitantes da ilha – escravos mais elite branca – precisaram da ajuda estrangeira, como poderiam os escravos, sozinhos, sem armamento, sem nenhum treino político e só com as duas ou três artimanhas de guerrilheiro amador que Sir William ensinara a José Dolores, montar uma verdadeira revolução social capaz de derrubar o regime republicano? Jamais ocorreu uma rebelião desse tipo em nenhuma nação do Terceiro Mundo sem a maciça ajuda estrangeira, e nada, além do puro embuste narrativo, explica que possa ter ocorrido em Queimada. Para os fins propagandísticos visados por Gillo Pontecorvo, era necessário associar capitalismo com imperialismo e revolução comunista com espontaneidade popular autóctone, condensando na tela o velho ardil da propaganda estalinista – ainda hoje inspirador do Fórum Social Mundial – que pinta o livre mercado como traição a serviço do estrangeiro e o comunismo como patriotismo.
Em segundo lugar, impressionadas com o retrato aparentemente verossímil do frio maquiavelismo capitalista, as platéias também se esqueciam de perguntar que raio de cálculo econômico era aquele, que, para a suposta salvaguarda de interesses empresariais, destruía pelo fogo a matéria-prima, os meios de produção e praticamente a totalidade da mão-de-obra disponível, tornando inviável qualquer atividade econômica na ilha por muitas décadas à frente e instaurando ali o monopólio do nada. Sir William emerge da sua segunda excursão à ilha como vencedor, sob a aparente satisfação das classes dominantes, mas, se algum equivalente dele do mundo real cometesse um desatino militar e ecômico como o que ele promoveu em Queimada, quem logicamente desejaria matá-lo não seria José Dolores, e sim os donos da empresa.
Observado segundo os critérios da própria verossimilhança histórica da qual se pavoneia, “Queimada” perde todo impacto dramático e se revela uma farsa idiota, postiça até o desespero, composta por um pseudo-intelectual de meia idade para a deleitação masturbatória de jovens aspirantes a pseudo-intelectuais.
Não há um só filme dessa escola que não se baseie nesse mesmo tipo de engodo miserável, e, compreensivelmente, não há um só deles que não tenha sido louvado uniformemente pela crítica mundial como uma obra-prima de realismo e honestidade narrativa.
Mais grotesco ainda esse gênero de filme se torna quando considerado não apenas na sua composição interna, mas nas condições sociológicas da sua produção. Se o capitalismo é mesmo como eles o descrevem, um sistema de escravização mental e física destinado a manter as multidões na total ignorância das causas da sua miséria, como se explica que a indústria mundial de espetáculos, infinitamente mais rica do que os usineiros de Queimada, subsidie e aplauda tantos filmes anticapitalistas como os de Gillo Pontecorvo, Francesco Rosi e tutti quanti, em vez de espalhar nos cinemas a apologia visual das belezas do livre mercado? A separação estanque entre as idéias dos intelectuais ou artistas e a sua condição existencial e social concreta é uma doença mental endêmica nas classes letradas do mundo Ocidental e, decerto, um dos pilares em que se assenta hoje em dia a efetiva escravização das consciências pela elite globalista.
Tanto no Brasil quanto em vários outros países, as obras do segundo neo-realismo italiano fizeram as cabeças de duas gerações de espectadores e, na condição de “clássicos”, desfrutam ainda de um prestígio considerável . Não duvido que milhares ou milhões de Emires Sáderes tenham absorvido desses filmes, e não dos livros que não leram, a substância mesma da sua ideologia e do seu modo de ser.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Cinema e Filosofia
No nosso Cineclube CTAM já estudamos vários filmes. Colateral (Collateral, 2004), dirigido por Michael Mann, citado na matéria, já foi debatido por nós. A questão filosófica nos filmes sempre existiu e críticos de força intelectual não deixaram de analisá-los sob a luz do pensamento de grandes filósofos, como foi o caso de Olavo de Carvalho, que não é crítico de Cinema, mas autor de três estudos sensacionais que sempre indiquei aos meus alunos de Análise Fílmica (consulte um deles aqui do lado, à sua direita).
Nosso querido companheiro de luta cineclubista, Ricardo Borges, o Borjão, estudante de Filosofia na Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho (Fafija) e interessado no assunto, certamente vai aproveitar a citada matéria como fonte informativa do que estão publicando hoje no nosso mercado editorial.
Enfim, termino com a seguinte frase e alguns exemplos: um filme é ser dirigido por um diretor filósofo (sem o ser por profissão), porque realiza o seu filme imbuído de forças temáticas pertencentes a todas as gerações de todos os povos. São temas que não se esgotam em debates e o filme passa a se constituir, como toda a grande obra de arte, fonte de inumeráveis análises.
O mestre Murnau foi um desses diretores filósofos, através de Sunrise (Aurora, 1927) etc.; Jonathan Demme: The Silence of the Lambs (O Silêncio dos Inocentes, 1991); Stanley Kubrick: Clockwork Orange (Laranja Mecânica, 1971) etc.; Robert Bresson: Lês procès de Jeanne d’Arc (O processo de Joana D’Arc, 1962) etc.; Ingmar Bergman: Persona (Persona, 1966) etc.; dentre outros.
E tem mais, agora realmente para concluir: a frase não é minha e nem sei de onde a tirei (Olavo de Carvalho?), mas a aceito como se fosse: Filosofar não se aprende na escola.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Atrasado, mas aqui fica a minha homenagem a um dos heróis da minha infância
Gafanhoto: meu herói de infânciaQuando eu era menino, acompanhei David Carradine (1936-2009), o gafanhoto, chamado assim pelo seu mestre na série televisa Kung Fu. Era um dos meus programas prediletos. Fascinava-me, a cada capítulo, os diálogos entre gafanhoto e o seu mestre, que sempre tinha uma palavra de sabedoria para o seu discípulo.
Encantaram-me todos os capítulos da série: a relação entre os dois, o aprendizado do Kung Fu e a maneira profunda, dotadas de grandes valores... Lembro-me da forte cena das tatuagens sendo marcadas, por um caldeirão em brasa, nos braços de gafanhoto.
E o que ficou foi o interesse pelo estudo da simbólica, inclusive a dos bichos. Por isso eu sou grato e aqui fica a minha gratidão e minha despedida:

Vá com Deus, Carradine!
Noticiário: Uol Cinema; Cinema Uol.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Revista Set em nova fase
“Não, a revista Set não acabou. De jeito nenhum. Sem chances. Não, não. Uma revista de cinema como a Set, que, em vez de leitores, tem fãs, não vai jamais morrer. No próxima dia 5 chega às bancas de todo o Brasil a Nova Set, melhor, mais bonita e mais integrada com o mercado nacional”.
A Nova Set é editada por uma equipe carioca formada por Mario Marques (publisher) e Carlos Helí de Almeida, Marco Antonio Barbosa, Nelson Gobbi e Robert Halfoun (editores). A nova fase da revista ainda conta com três novos colunistas: Luiz Noronha (Ex-editor do Segundo Caderno do Globo, sócio da Conspiração Filmes), Pedro Butcher (crítico da Folha de São Paulo e editor do site Filme B) e Marcelo Cajueiro (correspondente no Brasil da revista "Variety").
Enfim, desejo a Ricardo Schott sucesso no trabalho e que a Set mantenha-se firme no difícil mercado brasileiro de publicações segmentadas.


